Publicado no JG Jornal de Gramado em 13/02/2016
Sandra
Freire
Uma separação
necessita somente de dois elementos, a falta de amor e ter esperança. Quando o
amor se vai, é preciso ir também. Mas, sem esperança, aonde ir? Uma união entre
dois seres é como uma teia que vai enredando os dois. Rompê-la demanda cortar
tantos fios que, sem determinação, pode levar muito tempo. O tempo de uma vida.
O tempo é como
uma estrada que se desfaz à medida que vai sendo percorrida, só restando
caminho à frente.
Quando um
relacionamento acaba, prescinde de palavras. Geralmente, falar do que se foi é
o mesmo que esperar pelo que não virá. Os infinitos elos criados durante a
união precisam ser abertos. O que eles prendiam deve ser libertado. Fardo de gratidão
– o nome bem traduz. Preocupação com a família, com a sociedade e tudo o mais
que não você, rouba seu lugar no topo da lista. Pior, quem dá cobra.
Numa separação,
procura-se um culpado. Alguém de fora. Nessa busca perde-se muito mais do que o
ser amado. Querer o outro de qualquer forma, é não se querer de forma alguma. Basta
entender que ninguém tira alguém da gente. Simplesmente perdemos o outro.
Nem sempre aquele
que bate a porta é o que abandona. As razões para isso têm efeito cumulativo.
Sejam quais forem esses fatos uma certeza deixa, o total desconhecimento do
outro.
A linha tênue que
se interpõe entre abandonar e ser abandonado pelo outro, tem rendido elementos
suficientes para processos judiciais, traumas – que são levados para outros
envolvimentos -, doenças e mortes.
Um amor que se
foi deixa espaço para que outro entre. Deixa também marcas, que dificultam o
acolhimento de um novo sentimento. É como uma cicatriz que dói com a mudança do
tempo. É uma dor esperada sempre que o vento sopra mais forte. Mesmo que o
tempo não mude, a expectativa provoca dor.
Quando duas
pessoas se separam, há muito mais a dividir do que bens. Dividem-se sonhos
compartilhados, amigos que se julgava serem em comum. Volta a ser dois o que se
julgava um. As conquistas antes atribuídas ao casal passam a ser legado de
apenas uma das partes. As boas lembranças trazem dúvidas. As más, certezas.
Durante uma
união, muitas promessas são feitas e quebradas. A clássica: Se eu não quiser
mais, direi. Quantos dizem? Deixar de amar o par e encontrar o grande amor
quando se está com outro, é pecado mortal. No fim, tudo se perde.
Pessoas se unem
não se misturam. Segundo Mario Quintana o amor cria laços, não nós.
O barulho em
torno de uma separação traz prejuízos. A maior das perdas é a do amor próprio.
O efeito é desastroso. O tempo entre o início e o desfecho se alonga. O meio fica
azedo. Conviver com a desconfiança dói mais do que com a certeza. O fraco desconfia
e sofre. O forte desconfia, busca saber, se machuca e sara. Prossegue. Quem
sabe o que quer, não tem medo de sofrer.
Separar-se de
alguém quando a teia em volta está fechada, requer coragem. Aquele casamento
lindo, com toda a família em torno. Filhos chegando. E... A relação esfriando.
Romper é mais
fácil do que separar.
Um comentário:
Parabéns Sandra, lindo e verdadeiro!!!!!!
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