terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

SEPARAÇÕES

Publicado no JG Jornal de Gramado em 13/02/2016

Sandra Freire
Uma separação necessita somente de dois elementos, a falta de amor e ter esperança. Quando o amor se vai, é preciso ir também. Mas, sem esperança, aonde ir? Uma união entre dois seres é como uma teia que vai enredando os dois. Rompê-la demanda cortar tantos fios que, sem determinação, pode levar muito tempo. O tempo de uma vida.

O tempo é como uma estrada que se desfaz à medida que vai sendo percorrida, só restando caminho à frente. 

Quando um relacionamento acaba, prescinde de palavras. Geralmente, falar do que se foi é o mesmo que esperar pelo que não virá. Os infinitos elos criados durante a união precisam ser abertos. O que eles prendiam deve ser libertado. Fardo de gratidão – o nome bem traduz. Preocupação com a família, com a sociedade e tudo o mais que não você, rouba seu lugar no topo da lista. Pior, quem dá cobra.

Numa separação, procura-se um culpado. Alguém de fora. Nessa busca perde-se muito mais do que o ser amado. Querer o outro de qualquer forma, é não se querer de forma alguma. Basta entender que ninguém tira alguém da gente. Simplesmente perdemos o outro.
Nem sempre aquele que bate a porta é o que abandona. As razões para isso têm efeito cumulativo. Sejam quais forem esses fatos uma certeza deixa, o total desconhecimento do outro.

A linha tênue que se interpõe entre abandonar e ser abandonado pelo outro, tem rendido elementos suficientes para processos judiciais, traumas – que são levados para outros envolvimentos -, doenças e mortes.
Um amor que se foi deixa espaço para que outro entre. Deixa também marcas, que dificultam o acolhimento de um novo sentimento. É como uma cicatriz que dói com a mudança do tempo. É uma dor esperada sempre que o vento sopra mais forte. Mesmo que o tempo não mude, a expectativa provoca dor.

Quando duas pessoas se separam, há muito mais a dividir do que bens. Dividem-se sonhos compartilhados, amigos que se julgava serem em comum. Volta a ser dois o que se julgava um. As conquistas antes atribuídas ao casal passam a ser legado de apenas uma das partes. As boas lembranças trazem dúvidas. As más, certezas.

Durante uma união, muitas promessas são feitas e quebradas. A clássica: Se eu não quiser mais, direi. Quantos dizem? Deixar de amar o par e encontrar o grande amor quando se está com outro, é pecado mortal. No fim, tudo se perde.

Pessoas se unem não se misturam. Segundo Mario Quintana o amor cria laços, não nós.
O barulho em torno de uma separação traz prejuízos. A maior das perdas é a do amor próprio. O efeito é desastroso. O tempo entre o início e o desfecho se alonga. O meio fica azedo. Conviver com a desconfiança dói mais do que com a certeza. O fraco desconfia e sofre. O forte desconfia, busca saber, se machuca e sara. Prossegue. Quem sabe o que quer, não tem medo de sofrer.

Separar-se de alguém quando a teia em volta está fechada, requer coragem. Aquele casamento lindo, com toda a família em torno. Filhos chegando. E... A relação esfriando.
Romper é mais fácil do que separar.






Um comentário:

Unknown disse...

Parabéns Sandra, lindo e verdadeiro!!!!!!