“Reminiscências fazem alguém sentir-se deliciosamente
maduro e triste.”
Carlos Drummond de Andrade
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| Imagem do Google |
Sandra Freire
Quando se organiza um
armário, um quarto ou a vida, coisas ficam e coisas vão. A seleção se dá na
medida da necessidade de cada um. Existe um tempo de validade para tudo na
vida, até um tempo de vida. O que não pode mais ser restaurado, o que traz más
lembranças, deve ir. O que ainda puder contribuir para iluminar a penumbra da
desesperança deve ser colocado em lugar de destaque, como uma janela aberta
para um mar azul.
Organizar lembranças como se fosse um arquivo. Jogar fora
tudo que for ruim. Dar novas cores ao que já está desbotado. Colocá-las na
ordem de importância para que possam ser revistas de acordo com o momento
vivido. E, por que não, inserir belos momentos desejados e não vividos?
Segundo Leonard
Mlodinow em seu livro “Subliminar”, coleciona-se ao longo da vida memórias
criadas. As más devem ser descartadas. As boas, vão para o arquivo. Não há
porque cobrar autenticidade de algo bom e aceitar sem restrições, algo ruim.
As lembranças tendem a sair de ordem quando a solidão
aparece. Para suportá-la, só uma que faça companhia. O perigo é ela trazer
junto a saudade. Aí, é estar com alguém e ter ninguém. Solidão acompanhada é a
pior forma de vazio que se pode experimentar.
É preciso saber lidar com as lembranças. As felizes – por
estarem já perdidas -, doem. As tristes despertam nostalgia. As más, certo
alívio por ser uma dor já vivida - algo como uma dívida já paga.
O tempo é elástico. Há momentos em que algumas lembranças são
tão nítidas, que se tornam presentes. O tato é o principal sentido aguçado para
isso. Ele sozinho imprime realidade à cena. As imagens se unem em torno desse
momento. É o tempo que deixa de existir.
Ah... Lembrar e se deixar levar. Ver, com os olhos da alma.
“Longe é um lugar que não existe”.
Richard Bach

Um comentário:
Sandra, gostaria de ter esse dom - escrever!!!!!
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