sábado, 19 de dezembro de 2015

LEMBRANÇAS

“Reminiscências fazem alguém sentir-se deliciosamente maduro e triste.”
                                                Carlos Drummond de Andrade                                                                                                                                                               

Imagem do Google
Sandra Freire
Quando se organiza um armário, um quarto ou a vida, coisas ficam e coisas vão. A seleção se dá na medida da necessidade de cada um. Existe um tempo de validade para tudo na vida, até um tempo de vida. O que não pode mais ser restaurado, o que traz más lembranças, deve ir. O que ainda puder contribuir para iluminar a penumbra da desesperança deve ser colocado em lugar de destaque, como uma janela aberta para um mar azul.

Organizar lembranças como se fosse um arquivo. Jogar fora tudo que for ruim. Dar novas cores ao que já está desbotado. Colocá-las na ordem de importância para que possam ser revistas de acordo com o momento vivido. E, por que não, inserir belos momentos desejados e não vividos?

Segundo Leonard Mlodinow em seu livro “Subliminar”, coleciona-se ao longo da vida memórias criadas. As más devem ser descartadas. As boas, vão para o arquivo. Não há porque cobrar autenticidade de algo bom e aceitar sem restrições, algo ruim.

As lembranças tendem a sair de ordem quando a solidão aparece. Para suportá-la, só uma que faça companhia. O perigo é ela trazer junto a saudade. Aí, é estar com alguém e ter ninguém. Solidão acompanhada é a pior forma de vazio que se pode experimentar.

É preciso saber lidar com as lembranças. As felizes – por estarem já perdidas -, doem. As tristes despertam nostalgia. As más, certo alívio por ser uma dor já vivida - algo como uma dívida já paga.

O tempo é elástico. Há momentos em que algumas lembranças são tão nítidas, que se tornam presentes. O tato é o principal sentido aguçado para isso. Ele sozinho imprime realidade à cena. As imagens se unem em torno desse momento. É o tempo que deixa de existir.

Ah... Lembrar e se deixar levar. Ver, com os olhos da alma.
 “Longe é um lugar que não existe”.
                                        Richard Bach


Um comentário:

Unknown disse...

Sandra, gostaria de ter esse dom - escrever!!!!!