domingo, 29 de março de 2015

SOBREVIVER OU VIVER




 

Imagem do Google
 
“... sofrimento é a única promessa que a vida sempre cumpre.”
                                  Do filme: Muito Além de Rangun.
 
Sandra Freire
A adversidade é implacável. Ela nos alcança num momento qualquer da vida. Testa nossos limites. Nos leva às profundezas do desespero e, se resistimos e voltamos à tona, – não raro – nos golpeia uma segunda vez. Então, somos deixados agonizantes, com a alma esfarrapada. E, perdidos na escuridão que nos cerca, a esperança de encontrar um alento para prosseguir importa tanto quanto o NADA.
 
É a miséria emocional.
 
Quando somos atingidos em cheio pela adversidade, a primeira sensação que nos vem é a de incredulidade. Não conseguimos aquilatar o que está ocorrendo. È como levitar. As imagens perdem a nitidez. Os pensamentos se embaralham. A noção de realidade se afasta e parece que sonhamos. Cada um de nós tem seu tempo para retornar ao mundo real. Aí, começa o sofrimento.
 
Vem a dúvida sobre continuar ou não. O nosso lado covarde busca uma saída para escapar ao que domina todos os nossos sentidos e nos rouba a fome, o sono, o interesse por tudo a nossa volta. Sair do desconforto da cama para mais um dia, chega às raias do insuportável.
 
O tempo passa. Estamos sobrevivendo.
 
Sobreviver se aplica a períodos especialmente sofridos. Períodos esses, que devem ser superados para que se permita seguir em frente e amainar a dor que, vez ou outra, mareja nossos olhos, turvando a visão que insiste em buscar dias melhores. O estrago causado pela adversidade deve ser reparado com desvelo e consciência de que marcas profundas não desaparecem.
 
Mas... Continuar é preciso. Porém, aquele que sobrevive, não vive.
 
Somos capazes de superar perdas, separações, males inesperados. Só não somos capazes de recuperar a fé em nós mesmos. Saímos tão fragilizados das grandes dores, que nos tornamos incapazes de apreender sinceras demonstrações de bem-querer. Fechamos as portas do nosso ser a toda e qualquer luz exterior que possa indicar algo bom. Simplesmente nos agarramos à vida, sem aceitar que sem morrer de dor, não é possível reviver.
 
 


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