sábado, 24 de julho de 2021

 

MALDITA MATURIDADE

Sandra Freire e outros

“Aprendi que não importa o quanto eu me importe; algumas pessoas simplesmente não se importam”.

Aprendi que falar pode aliviar dores emocionais.

Que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias.

(...) e que vc pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprendi que existem pessoas que amam a gente, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso. Amar é fácil, mesmo quando não se quer; reconhecer, aceitar e demonstrar...

(...) que preciso controlar meus pensamentos, ou ser controlado por eles.

(...) que quando estou com raiva, tenho o direito de estar. Mas isto não me dá o direito de ser cruel.

Que quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.

Que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.

(...) beijos não são contratos e presentes não são promessas.

(...) que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

(...) que o tempo não é algo que possa voltar atrás.

Cada segundo é tempo para mudar tudo, para sempre.

(...) não importa em quantos pedaços seu coração foi partido; o mundo não vai parar para que você o conserte.

“Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também”. Isso faz parte da vida.

“Aprendi que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto.”

(...) que tenho de plantar meu jardim e decorar minh’alma, ao invés de esperar que alguém me traga flores.

As pessoas às vezes machucam as outras pelo simples fato de estarem machucadas.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

 

FELIZ ANO NOVO

Enquanto não atravessarmos na dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um. Fernando Pessoa

Sandra Freire
Quando tudo é perfeito, procuramos a falha. A perfeição incomoda. Algo como a roupa maravilhosa que não é confortável.

Notícia boa não prende ninguém na cadeira. Tragédia dá uma audiência estrondosa.

Ao final de cada ano, as reportagens pontuam mais os piores acontecimentos, como se quase nada de bom tivesse acontecido.

Manter a audiência é preciso.

Mas, porque não cultuamos os bons acontecimentos em nossas vidas? Não precisamos de audiência!

Ou?

O encontro de um novo amigo; o superar algo que não daria mesmo certo; ver à frente uma página em branco para escrever uma nova história. Ou nada!

Entender enfim, que deixar a página em branco, sem mágoas ou expectativas, pode significar o início de uma grande história.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

AMIGO OU CONHECIDO DE LONGA DATA



Sandra Freire
”NÃO PRECISAMOS TANTO DE AJUDA DE AMIGOS QUANTO DE A CERTEZA DE SUA AJUDA”

Qual a diferença? Abissal

Quando se está passando por um momento muito difícil
O conhecido tenta consolar com palavras vãs
O amigo abre o coração e a casa

Quando a dor é no corpo
O conhecido dá conselhos e demonstra dó
O amigo se oferece para dar o remédio e velar o seu sono

Quando a dor é na alma
O conhecido se esquiva com evasivas
O amigo oferece o ombro, o ouvido e chora junto

Quando se pensa não ter forças para continuar
O conhecido conta histórias de coragem
O amigo segura sua mão e dá a certeza de que você não está só

Quando todos os dias parecem cinzentos
O conhecido tem compromissos inadiáveis
O amigo adia os compromissos e lhe mostra o sol

Quando a cama parece o melhor lugar do mundo
O conhecido está sem tempo
O amigo abre as janelas e mostra o mundo lá fora

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A DITADURA DA TECNOLOGIA



 Sandra Freire
Estamos sendo gradativamente escravizados pelos aparelhos eletrônicos. Estamos entregando nosso presente graciosamente. Estamos perdendo o uso de a escrita; o prazer de o encontro com amigos e parentes para trocar ideias. Estamos perdendo conquistas importantes feitas pela geração “Baby Boomers”. Tudo está se perdendo, com a nossa cumplicidade. O caminho percorrido está sendo caprichosamente apagado, ou deletado, para usar termos mais atuais. Aliás, o que será “atual” com a velocidade imposta à vida?

 O passado e os erros nele cometidos – povos apátridas vítimas de genocídio; as Guerras; o Holocausto; tentativa de extermínio de uma etnia por outra, no mesmo país, e outras barbaridades que têm ainda hoje sobreviventes. Não será esse “esquecimento” uma porta aberta a novos velhos acontecimentos? Não? O que está acontecendo neste momento no Afeganistão, Paquistão, Sudão, Myanmar...

Os Baby Boomers – geração nascida entre 1946 e 1964-, queimaram sutiãs, derrubaram preconceitos raciais, étnicos, religiosos etc, na doce ilusão de mais que liberdade, integração entre pessoas, sem barreiras de qualquer espécie. Surge aí uma mensagem que ficou gravada em nós por gerações, e hoje nada mais é do que uma linda utopia; Imagine, escrita e interpretada por John Lennon, no seu último LP. Aqueles que não souberem a quê me refiro, o Google satisfaz qualquer curiosidade em segundos.

 Deixe que sua memória continue morrendo em paz.

O prazer de um encontro casual; o calor de um abraço; o enlevo de um beijo; a segurança de as mãos dadas; o contemplar a natureza; o encantamento de uma poesia lida em conjunto e muito mais, estão confinadas no Imagine, somente para quem tem o quê lembrar.
Perder um celular é mais que perder um aparelho. Com ele se vão os contatos com outras pessoas, compromissos assumidos, agendas de telefone, endereços, amigos e nossas vidas. Ah, tem a nuvem! É fato. Podemos colocar nossa vida na “Nuvem” que ela jamais se perderá. Certeza? O que é mesmo “certeza”?

Estamos resumidos a números, o CPF e o CEP. Em qualquer estabelecimento comercial, confiável ou não, basta seu número para que sua privacidade seja invadida. Orwell e McLuhan – autores de 1984 e Teoria da Aldeia Global-, nos avisaram.

Estamos prefaciando a mais apavorante história de terror jamais escrita.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

COM OS JOVENS TENHO APRENDIDO



Que a vida não é curta
Antes, o tempo que nos resta quando enfim compreendemos
Que perdemos tanto tempo
Cultivando mágoas
Pensando em quem não vale a pena
Não tendo vivido romances
Que nos pareceram inadequados
Que é covardia culpar o(s) outro(s)
Por não termos feito o que queríamos

Que é sábio 
Colecionar momentos
Amigos
Fazer loucuras
Amores

A vida tem me ensinado
Que para exorcizar um grande amor
Só vivendo-o
Que só devemos fidelidade a nós mesmos
Que, se ainda assim
Não somos felizes
É preciso continuar aprendendo
Pois, fugir é um lugar que não existe

quinta-feira, 2 de abril de 2020

QUANDO O OUTRO SE VAI



Não é sem aviso. Nunca. Atitudes e olhares mal interpretados. Pistas ao vento.
A impaciência com fatos recorrentes, talvez seja a primeira pista a ser seguida. O “não sei” tem um tom diferente – carrega um quê de culpa e desejo de evitar o assunto. O cansaço travestido de exaustão; aquele olhar que vai muito além de você; um sono irresistível; mas o “tiro de misericórdia” é quando seus defeitos usuais são colocados no banco dos réus, julgados e condenados como crime hediondo. A culpa de tudo é SEMPRE do outro.

E, como explicar que o outro se sinta mesmo culpado? Que comece a buscar “aonde foi que eu errei?”. Mas pode piorar: É quando o acusado começa a encontrar seus “erros” e reconhecer que é preciso mudar. Aí começa a real agonia. Essa negativa em reconhecer a finitude de a relação entre dois seres é uma doença que evolui, fazendo definhar o respeito mútuo.

Ninguém tira o outro de alguém. Simplesmente perdem-se as pessoas. Bem, é nisso que dá considerar pessoas como propriedade. Embora pessoas não sejam nossas, podem estar em nós o tempo que quisermos pois “Saudade é solidão acompanhada/é quando o amor ainda não foi embora,/mas o amado já.../Saudade é amar um passado que ainda não passou, (...) /Saudade é sentir que existe o que não existe mais...(...)” Neruda

Uma vez alguém tenha entrado em nossa vida, partilhado bons momentos e tido um papel de inegável relevância, só sairá se quisermos. É muito parecido com o que fazemos com nossos entes queridos. Mesmo depois de mortos, continuam ocupando um lugar em nós. Lançamos mão de lembranças para manter vivo quem já morreu.
Por que não fazemos o mesmo com aqueles que simplesmente se afastaram?

 Lembranças podem ser escolhidas, realidade não.




sábado, 28 de março de 2020

CONFINAMENTO



É a ficção se tornando realidade. O inimaginável convivendo intimamente com cada um de nós. Temos tempo para tudo, mas nada podemos fazer.
Estamos diante de um dos momentos mais importantes de nossas vidas. Talvez, para a maioria, não surja outro igual. Talvez, a maioria nem se aperceba ainda o quanto de nosso interior está para emergir. São lembranças de tempos felizes, pessoas queridas, lugares que serão revisitados em fotos e ou memória.
Decisões importantes serão tomadas nesse período. Convivências serão analisadas e reavaliadas. Tantas decisões têm sido adiadas, simplesmente porque não temos noção de tempo. Temos adiado a convivência com amigos e familiares; uma pequena viagem; uma visita; um encontro para um café ou um passeio num parque.
Temos avaliado as pessoas pelo ter. Queremos ser amados por quem for inteligente, bem sucedido, bem vestido e frequente bons lugares.
O hedonismo tem feito parte de nossas vidas há tanto tempo que respostas imediatas são indispensáveis.
Afinal, não temos tempo!
Não?
Os restaurantes estão fechados, as lojas também. As salas de reunião estão vazias. As domésticas não podem vir; os banheiros precisam ser lavados, as roupas idem etc...
Somente agora poderemos avaliar o quê tem estado confinado em nós.
Quem sabe a importância que não temos dado a quem tem sido importante no nosso dia a dia; a presença invisível de os que fazem a nossa rotina possível; a não atenção ao carinho demonstrado pelos que parecem inferiores e mais e mais.
Até onde nossa seletiva memória permitirá que esse período seja lembrado como trágico e, ao mesmo tempo, revelador?