quinta-feira, 2 de abril de 2020

QUANDO O OUTRO SE VAI



Não é sem aviso. Nunca. Atitudes e olhares mal interpretados. Pistas ao vento.
A impaciência com fatos recorrentes, talvez seja a primeira pista a ser seguida. O “não sei” tem um tom diferente – carrega um quê de culpa e desejo de evitar o assunto. O cansaço travestido de exaustão; aquele olhar que vai muito além de você; um sono irresistível; mas o “tiro de misericórdia” é quando seus defeitos usuais são colocados no banco dos réus, julgados e condenados como crime hediondo. A culpa de tudo é SEMPRE do outro.

E, como explicar que o outro se sinta mesmo culpado? Que comece a buscar “aonde foi que eu errei?”. Mas pode piorar: É quando o acusado começa a encontrar seus “erros” e reconhecer que é preciso mudar. Aí começa a real agonia. Essa negativa em reconhecer a finitude de a relação entre dois seres é uma doença que evolui, fazendo definhar o respeito mútuo.

Ninguém tira o outro de alguém. Simplesmente perdem-se as pessoas. Bem, é nisso que dá considerar pessoas como propriedade. Embora pessoas não sejam nossas, podem estar em nós o tempo que quisermos pois “Saudade é solidão acompanhada/é quando o amor ainda não foi embora,/mas o amado já.../Saudade é amar um passado que ainda não passou, (...) /Saudade é sentir que existe o que não existe mais...(...)” Neruda

Uma vez alguém tenha entrado em nossa vida, partilhado bons momentos e tido um papel de inegável relevância, só sairá se quisermos. É muito parecido com o que fazemos com nossos entes queridos. Mesmo depois de mortos, continuam ocupando um lugar em nós. Lançamos mão de lembranças para manter vivo quem já morreu.
Por que não fazemos o mesmo com aqueles que simplesmente se afastaram?

 Lembranças podem ser escolhidas, realidade não.




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