Não é sem aviso. Nunca. Atitudes
e olhares mal interpretados. Pistas ao vento.
A
impaciência com fatos recorrentes, talvez seja a primeira pista a ser seguida.
O “não sei” tem um tom diferente – carrega um quê de culpa e desejo de evitar o
assunto. O cansaço travestido de exaustão; aquele olhar que vai muito além de
você; um sono irresistível; mas o “tiro de misericórdia” é quando seus defeitos
usuais são colocados no banco dos réus, julgados e condenados como crime
hediondo. A culpa de tudo é SEMPRE do outro.
E, como explicar que o outro se
sinta mesmo culpado? Que comece a buscar “aonde foi que eu errei?”. Mas pode
piorar: É quando o acusado começa a encontrar seus “erros” e reconhecer que é
preciso mudar. Aí começa a real agonia. Essa negativa em reconhecer a finitude
de a relação entre dois seres é uma doença que evolui, fazendo definhar o
respeito mútuo.
Ninguém tira o outro de alguém.
Simplesmente perdem-se as pessoas. Bem, é nisso que dá considerar pessoas como
propriedade. Embora pessoas não sejam nossas, podem estar em nós o tempo que
quisermos pois “Saudade é solidão acompanhada/é quando o amor ainda não foi
embora,/mas o amado já.../Saudade é amar um passado que ainda não passou, (...)
/Saudade é sentir que existe o que não existe mais...(...)” Neruda
Uma vez alguém tenha entrado em
nossa vida, partilhado bons momentos e tido um papel de inegável relevância, só
sairá se quisermos. É muito parecido com o que fazemos com nossos entes
queridos. Mesmo depois de mortos, continuam ocupando um lugar em nós. Lançamos
mão de lembranças para manter vivo quem já morreu.
Por que não fazemos o mesmo com
aqueles que simplesmente se afastaram?
Lembranças podem ser escolhidas, realidade
não.
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