terça-feira, 10 de março de 2015

DIA INTERNACIONAL DA MULHER



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FEMINA
As mulheres são perfeitamente conscientes de que quanto mais parecem obedecer mais dominam.”
Michelet



Sandra Freire
A mulher vem lutando ao longo da história para assumir –o que considera- seu lugar na sociedade. Muitas barreiras têm sido derrubadas em favor da igualdade de gêneros. Essas batalhas, que custaram muitas vidas, continuam sendo travadas no cotidiano feminino. A guerra ainda está longe do fim, pois o movimento está circunscrito a um pequeno núcleo feminino atuante.




Os atuais discursos pela igualdade têm-se pautado preferencialmente na equiparação salarial entre homens e mulheres.
feminismo¹ é um movimento que tem origem no ano de 1848, na convenção dos direitos da mulher em Nova Iorque.nas nove anos após, em oito de março de 1957, também em Nova Iorque, tecelãs ocuparam a fábrica onde trabalhavam e fizeram greve para reivindicação pela redução de 16 para 10h. de trabalho diário, equiparação de salários –recebiam cerca de um terço do salário de um homem na mesma função – e tratamento digno no ambiente de trabalho – o que não se dá ainda hoje.

 A violenta repressão ao movimento levou à morte cerca de 130 tecelãs, trancafiadas e carbonizadas no interior da fábrica.
Apesar de o “Dia Internacional da Mulher” ter sido decidido na Dinamarca, em 1910, apenas em 1975 a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Ergueu-se das cinzas dessas mulheres uma bandeira que sombreia o brilho de nações que ignoram a força de intelectuais, políticas, guerreiras, cidadãs, mães, fêmeas, que contribuem das coxias para que os homens possam exercer suas funções, sem queimar as mãos nos fogões para se alimentarem, exaurir-se na limpeza de suas casas, desgastar-se com infinitos detalhes domésticos – minimizados aos olhos de quem não os faz.
As conquistas alcançadas, como o divórcio, direito ao voto, cargos políticos e outros, esbarram no paredão manchado com o sangue e suor de mulheres que, por terem estrutura física inferior a dos homens, ainda são assediadas em seus ambientes de trabalho, agredidas barbaramente e abusadas por quem deveria as defender.

A sobrecarga a que as mulheres são submetidas, tendo de conjugar trabalho e assistência doméstica, tem custado a elas mais do que seria justo admitir.

Na aba da igualdade feminina, os homens alçaram a zona de conforto que tanto almejaram. Saíram da casa dos pais e ingressaram na casa da mulher, não raro dividindo despesas, mas não trabalho e ainda podendo exercer o direito a pensão alimentícia. Grande conquista masculina!

Quem sabe essa inversão de valores não deva ser revista, no sentido de permitir ao homem – o sexo forte-, reassumir seu papel original de chefe de família e provedor, deixando que a mulher, guiada por sua mão experiente, possa então galgar posições intelectuais e honrá-lo com conquistas profissionais, só possíveis graças ao apoio doméstico e financeiro daquele que a elegeu como base familiar.
Esses homens merecem chegar a casa e encontrar suas mulheres descansadas, produzidas- como nas novelas de TV, bem informadas – após assistirem os telejornais, sempre dispostas a ouvi-los e fazer com que sintam-se  acolhidos.



quarta-feira, 4 de março de 2015

ABAIXO A TIMIDEZ

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"A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão."
                                               Pablo Neruda                                                                                                                                 



Sandra Freire
É nosso dever declarar amor àqueles que nos são caros. Devemos fazê-lo sem reservas, a qualquer hora, em qualquer lugar. Amor é dádiva, não é como um presente comprado. Não importa se o outro te ama, ou não, com a mesma intensidade. Apenas deixe-o saber que é amado. Dar amor é gratificante. Receber amor gratifica.

Diga ao outro o quanto o ama. Reafirme seu amor sempre que possível.  Não espere que o ser amado esteja doente para declarar que ele ocupa um lugar especial na sua vida.

Não mande flores com um cartão “Eu te amo”. Mande as flores e DIGA “Eu te amo”.

Não raro, passamos a vida ao lado de pessoas que são tão importantes para nós, mas que pelo simples fato de estarem sempre ali, não julgamos necessário dizer o quanto as queremos bem. Achamos que elas sabem. Isso basta.

Será?

O amor é simples. Teimamos em vesti-lo com uma importância que ele não quer ter. Ele quer apenas estar. Quando dizemos a alguém: “Eu te amo”, sempre queremos ouvir o eco. No risco, quase ninguém diz. A trava emocional que possuímos, o medo de não sermos correspondidos e passar por tolos, nos impede de seguir o caminho que pode conduzir à felicidade.

Só dizendo é que você pode ouvir o eco. Ou não. Se não ouvi-lo, vá em frente. Não permita que um desvio sentimental o abale. Coração dos outros é terra onde ninguém anda. Tente transformar esse sentimento numa boa amizade. Faça algo por si mesmo, conviva com o ser amado sem mágoa. Tente identificar nele comportamentos que, aos poucos, possam mostrar que você estava vivendo uma ilusão.

 Mas... Não se iluda!

Comece por lembrar que todos querem habitar o coração de alguém. Tendo ou não interesse por esse alguém. Para isso vale tudo, até dar ilusão ao outro. Maldito Ego! Sempre querendo ser massageado.

Belmiro Braga definia o amor como um ser errante: “Morro por Filomena, Filomena por Joaquim, o Joaquim por Madalena e Madalena por mim”.


Vamos destravar a língua e dizer ao(s) outro(s): Gosto de você. Não estamos pedindo nada em troca. Estamos apenas usando nosso direito de contribuir para que o outro se sinta bem, mesmo que esteja usando uma armadura dourada e reluzente, pronto para entrar numa guerra jamais  declarada. 


terça-feira, 3 de março de 2015

QUIZ






"É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade quando você sabe que mentiria se estivesse no lugar dele."           
      Henry Mencken                 

Sandra Freire
Uma teoria a ser testada nos seguidores deste Blog. A de que gostamos de ser enganados. A mentira faz parte de nossas vidas como os nossos hábitos do dia-a-dia. Seria até cruel eliminar a mentira de uma vez por todas. A máxima “Antes omitir que mentir”, não deixa de ser um incentivo a mais para se exercitar a mentira.
 Meia verdade sempre camufla uma mentira inteira.

Mentimos por tudo e por nada. Melhor dizer: Não fui porque tive um problema de última hora, a dizer: Esqueci; não estava com vontade; tive algo melhor para fazer etc. A mentira simplifica, não magoa o outro, não é indelicada como a simples verdade.

Essa a questão. A mentira, por ser adaptável às situações, sempre soa mais agradável do que a dura verdade. Vê, a verdade se apresenta como dura. E, na maioria das vezes, é.

Suponhamos um casal, vivendo um grande amor. Os dois compromissados com a verdade, por razões religiosas, ideológicas ou de qualquer outra etiologia. Por um motivo qualquer, sem o comprometimento de seus desejos, separam-se por um mês. Um viaja e o outro fica.

O que vai, passará o mês em um lugar onde já morou, namorou e conhece muitas pessoas interessantes. O que fica –carente- tem muitos amigos, com os quais tem vontade de compartilhar mais momentos como antes.
Deve-se dizer que as tentações são maiores da porta para fora. Viajar sempre desperta uma sensação de liberdade inexplicável. Quem sai cria asas e se sente seguro, inalcançável. O celular contribui bastante para isso.
Na volta, sabendo que iria ouvir a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade, você perguntaria ao outro o que ele (ela) fez? Se, saiu com alguém, rolou alguma fraqueza, – talvez ditada pela insegurança, carência ou sensação de liberdade? Mesmo que, em caso afirmativo, o fato não tivesse relevância suficiente para interferir no envolvimento de vocês dois?
OU
Pessoas normais, na mesma situação, sem compromisso com a verdade, querendo preservar o romance que estão vivendo, mas que, com a longa ausência, têm necessidade de reafirmação de mútuo bem querer, fariam a mesma pergunta? Mesmo tendo certeza da resposta?