domingo, 7 de junho de 2015

ESTAR SÓ SER SÓ

Imagem do Google





“Ambos eram conscientes de serem tão diferentes, que nunca se sentiam tão sós do que quando estavam juntos.”
                                 Gabriel Garcia Marquez
S. Freire
Os limites da solidão são móveis. Nem sempre estar só, passa essa sensação. Nem sempre ser só, não passa. Estar só, vez ou outra, é necessário. Ser só... Pior de tudo, é ser só, quando  acompanhado. Estar só transparece. Pode ser um estado transitório, pode durar para sempre, mas concede o benefício da dúvida. Ser só é um estado da alma de cada um. Não dá satisfações a ninguém.

Nada errado em desejar estar só durante uma união. Seres diferentes podem se complementar, parasitar ou simplesmente coexistir, sem que nada disso represente prejuízos aos pares. Essa dita fusão de dois seres, seria uma descaracterização dos dois. Todos nós temos a necessidade de estar sós de vez em quando. De exercer nossa individualidade nos mínimos detalhes, como dormir sozinhos, ficar calados, deixar o pensamento livre para pousar ao acaso, onde lhe aprouver.

O X da questão é fazer. Atreva-se a dizer que quer dormir só, mesmo esporadicamente. Que gostaria de passar um fim de semana consigo mesmo (a). Se Permita longos silêncios, para que o pensamento vagueie aleatoriamente. Aí, você terá o mais perfeito roteiro para uma tragédia conjugal. No mínimo, um ar de desconfiança tão denso, que faria inveja a teto de aeroporto fechado para pouso da aceitação da sua privacidade e decolagem de uma coexistência baseada numa confiança que prescinde da presença física.

Algumas atividades proporcionam a um dos pares a oportunidade de se ausentar por períodos variáveis. São uniões duradouras em geral. Esse é um tempo que serve para refrigerar a relação. Tipo parágrafo num texto longo. Cada um cuida de si mesmo. Sente ou não, saudades do outro. Está só. Mas, se sente só?

A intimidade de um casal costuma ultrapassar os limites do “nós” e adentrar o “eu” do outro. Portas de banheiro são abertas, cabeças são ameaçadas de invasão ao mesmo tempo em que olhos são perscrutados em busca de contradição: “está pensando em quê (quem)”? Celulares são inspecionados, papéis lidos, cartões de crédito xeretados, roupas cheiradas etc.
 Ah, não! Tem certeza?

Tudo isso pode ser rotulado de ciúmes, insegurança, amor, preocupação com o outro e mais e mais. Também pode traduzir simplesmente a vontade de não ficar só. Há muito o “Antes só do que mal acompanhado”, foi substituído pelo “Antes mal acompanhado do que só”.


Resumo, estar só pode ser uma escolha. Ser só, uma contingência. 

2 comentários:

Unknown disse...

Sandrinha , quem escreve sou eu, sua amiga de hoje e sempre, Márcia.
Seu Blog está maravilhoso, vc é muito talentosa e um dia ainda vai escrever um livro.
Estou adorando os textos, inclusive me fazem parar e pensar um pouco.
Parabéns amiga, sinto nos seus textos uma sensibilidade que só quem já sofreu sabe escrever.

Beijosoooooooooooo

Unknown disse...

A Marcia tem razão Sandra, vc tem o dom da escrita!!!! 💋💋💋