quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O TEMPO






Imagem do Google
Sandra Freire

...está sempre presente, do início ao fim. No início, quando o ser esperado é bem-vindo, ele passa lentamente como uma cena em câmera lenta, se fazendo notar e contar.

No decurso da vida, quando as expectativas ainda são muitas, ele mostra quem está no comando. Acelera e freia quando bem entende. Mas não se faz notar.

Só quando se olha para trás é que ele mostra sua verdadeira face.

 Como num sonho, onde se ouve sem som, ele diz o quanto passou. Utiliza-se dos que chegaram depois, da mudança de cenário, da necessidade de tingir os cabelos, das roupas que não cabem mais, das lembranças que agora são revividas em sépia.

Lutar contra ele é tão inútil quanto pensar que podemos usar um sapato menor que o pé. Por mais belo que seja, vai se tornando incômodo e termina por se mostrar insuportável. O arrependimento é inevitável. Insistir acaba deformando os pés assim como ele vai – aos poucos – deformando nossos sonhos.

Adaptar nossos sonhos à nossa realidade é doloroso. Muito doloroso. Muito há de ficar pelo caminho, como as quinquilharias que vão caindo de um burro sem rabo que avança por um caminho de paralelepípedos. Em todos, ao olhar para trás, há a sensação de perda.

O passado, quando relembrado, sempre se mostra lindo, quase perfeito.

O presente pede para se livrar das impurezas aderidas ao longo do caminho. Pede nova roupagem para com ela entrar num futuro melhor.

É preciso agarrá-lo como a um touro à unha e nele presente, impormos nossos desejos, lutando para transformar nossos sonhos em realidade, para que ele se torne então cúmplice e não algoz.


Um comentário:

Unknown disse...

Muito bom o texto! Parabéns
Bjs