quarta-feira, 4 de março de 2015

ABAIXO A TIMIDEZ

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"A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão."
                                               Pablo Neruda                                                                                                                                 



Sandra Freire
É nosso dever declarar amor àqueles que nos são caros. Devemos fazê-lo sem reservas, a qualquer hora, em qualquer lugar. Amor é dádiva, não é como um presente comprado. Não importa se o outro te ama, ou não, com a mesma intensidade. Apenas deixe-o saber que é amado. Dar amor é gratificante. Receber amor gratifica.

Diga ao outro o quanto o ama. Reafirme seu amor sempre que possível.  Não espere que o ser amado esteja doente para declarar que ele ocupa um lugar especial na sua vida.

Não mande flores com um cartão “Eu te amo”. Mande as flores e DIGA “Eu te amo”.

Não raro, passamos a vida ao lado de pessoas que são tão importantes para nós, mas que pelo simples fato de estarem sempre ali, não julgamos necessário dizer o quanto as queremos bem. Achamos que elas sabem. Isso basta.

Será?

O amor é simples. Teimamos em vesti-lo com uma importância que ele não quer ter. Ele quer apenas estar. Quando dizemos a alguém: “Eu te amo”, sempre queremos ouvir o eco. No risco, quase ninguém diz. A trava emocional que possuímos, o medo de não sermos correspondidos e passar por tolos, nos impede de seguir o caminho que pode conduzir à felicidade.

Só dizendo é que você pode ouvir o eco. Ou não. Se não ouvi-lo, vá em frente. Não permita que um desvio sentimental o abale. Coração dos outros é terra onde ninguém anda. Tente transformar esse sentimento numa boa amizade. Faça algo por si mesmo, conviva com o ser amado sem mágoa. Tente identificar nele comportamentos que, aos poucos, possam mostrar que você estava vivendo uma ilusão.

 Mas... Não se iluda!

Comece por lembrar que todos querem habitar o coração de alguém. Tendo ou não interesse por esse alguém. Para isso vale tudo, até dar ilusão ao outro. Maldito Ego! Sempre querendo ser massageado.

Belmiro Braga definia o amor como um ser errante: “Morro por Filomena, Filomena por Joaquim, o Joaquim por Madalena e Madalena por mim”.


Vamos destravar a língua e dizer ao(s) outro(s): Gosto de você. Não estamos pedindo nada em troca. Estamos apenas usando nosso direito de contribuir para que o outro se sinta bem, mesmo que esteja usando uma armadura dourada e reluzente, pronto para entrar numa guerra jamais  declarada. 


terça-feira, 3 de março de 2015

QUIZ






"É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade quando você sabe que mentiria se estivesse no lugar dele."           
      Henry Mencken                 

Sandra Freire
Uma teoria a ser testada nos seguidores deste Blog. A de que gostamos de ser enganados. A mentira faz parte de nossas vidas como os nossos hábitos do dia-a-dia. Seria até cruel eliminar a mentira de uma vez por todas. A máxima “Antes omitir que mentir”, não deixa de ser um incentivo a mais para se exercitar a mentira.
 Meia verdade sempre camufla uma mentira inteira.

Mentimos por tudo e por nada. Melhor dizer: Não fui porque tive um problema de última hora, a dizer: Esqueci; não estava com vontade; tive algo melhor para fazer etc. A mentira simplifica, não magoa o outro, não é indelicada como a simples verdade.

Essa a questão. A mentira, por ser adaptável às situações, sempre soa mais agradável do que a dura verdade. Vê, a verdade se apresenta como dura. E, na maioria das vezes, é.

Suponhamos um casal, vivendo um grande amor. Os dois compromissados com a verdade, por razões religiosas, ideológicas ou de qualquer outra etiologia. Por um motivo qualquer, sem o comprometimento de seus desejos, separam-se por um mês. Um viaja e o outro fica.

O que vai, passará o mês em um lugar onde já morou, namorou e conhece muitas pessoas interessantes. O que fica –carente- tem muitos amigos, com os quais tem vontade de compartilhar mais momentos como antes.
Deve-se dizer que as tentações são maiores da porta para fora. Viajar sempre desperta uma sensação de liberdade inexplicável. Quem sai cria asas e se sente seguro, inalcançável. O celular contribui bastante para isso.
Na volta, sabendo que iria ouvir a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade, você perguntaria ao outro o que ele (ela) fez? Se, saiu com alguém, rolou alguma fraqueza, – talvez ditada pela insegurança, carência ou sensação de liberdade? Mesmo que, em caso afirmativo, o fato não tivesse relevância suficiente para interferir no envolvimento de vocês dois?
OU
Pessoas normais, na mesma situação, sem compromisso com a verdade, querendo preservar o romance que estão vivendo, mas que, com a longa ausência, têm necessidade de reafirmação de mútuo bem querer, fariam a mesma pergunta? Mesmo tendo certeza da resposta?


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SER LIVRE








"A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação."
Carlos Drummond de Andrade   
                                  

Sandra Freire
Quem preserva sua capacidade de imaginar sempre será livre. Nada pode privar de liberdade o nosso pensamento. Mesmo acorrentados podemos voar. Aonde quer que estejamos, podemos estar noutro lugar.
Um ser humano não pertence a outro – dito no filme Divã. É definitivo, não pertence mesmo. As pessoas apenas fazem parte da vida de alguém. 

Eliminar o possessivo das relações interpessoais pode ser o primeiro passo para um melhor entendimento. O “meu” marido, “minha” mulher, “meu” filho etc.
Melhor seria encarar seres humanos como participantes do meio em que vivemos, ocupando cada qual seu espaço, sem interdependência.

O caos afetivo dos dias atuais, onde ex-maridos, companheiros e afins se julgam no direito de matar suas ex., possivelmente não se teria instaurado se ninguém fosse considerado propriedade de ninguém.
O quê, realmente, nos pertence, além de nossas lembranças e desejos? Se comprarmos um objeto, ele será nosso, ou não, até morrermos. Essa perda, de certa forma, é esperada. Coisas são finitas.

Sentimentos também.

Ah, Fernando Pessoa: " O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

Segundo Bernard Shaw..." quando dois jovens se apaixonam, colocam-lhes à frente um juiz de Paz e fazem-nos jurar que esse estado patológico durará para sempre”.

Uniões duradouras felizes, pseudo felizes e infelizes em nome da família, da moral, da fachada, da dependência, seja ela qual for, foram definidas por Drummond, que sabia muito bem do que estava falando.
O próprio poeta se referia ao casamento como prisão. Falava em conquista da liberdade, nos deixando a sensação angustiante de necessidade de ar para sobreviver.

O amor é fluido como a sensação de estar voando no espaço infinito; forte como as raízes que sustentam as mais altas sequoias e tem razões que só são explicadas pelo mais profundo silêncio...



PESSOAS




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Sandra Freire
                                                                  
Pessoas que vêm e que vão. A maioria passa por nossas vidas sem deixar vestígios, como parte da paisagem que sempre muda. Vão passando e sendo substituídas por novas imagens.

Raros são aqueles que vêm e vão, mas não passam.

 Vão-se os anos, tentamos ocupar com outros aquele lugar especial que há em todos nós. Aquele lugar que quando vazio, vez ou outra, nos inunda de uma nostalgia sorrateira, despertada por música suave, paisagem que vai ao infinito como a melancolia da saudade.

Quanto mais tempo passa, maior a sensação de perda, a tristeza de algo não vivido. Mas, se vivido teria estado à altura das expectativas? Não será a imaginação mais pródiga em fantasia do que a realidade? É possível alcançar a felicidade no sonho, embora de modo fugaz.

 Na realidade, é possível viver o sonho?

Há dias em que os sonhos quase se materializam. É possível sentir a presença do outro. É possível dar voz ao outro. É como estarmos bem perto da tela que reproduz os nossos sonhos, mas que, de modo cruel e realista, nos impede de fazer parte do elenco.

O sonho é uma abstração. Enleva, mas não toca, não aquece. Porém, não traz riscos, é perfeito. Pode durar para sempre.

Trazer um sonho para a realidade é como copiar a obra de um grande mestre, nunca será o mesmo.

Enfim, existe um sem número de desculpas para não encarar a frustração de não pertencer ao grupo restrito dos afortunados que encontraram e ainda encontrarão o seu complemento.

domingo, 25 de janeiro de 2015

INFERNO PARTICULAR




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Sandra Freire
Envelhecer é a vingança dos velhos da nossa juventude.



Criamos mecanismos durante a vida para torná-la um pesadelo. Pior, cada vez mais cedo. Esquecemos que começamos a envelhecer ao nascer. Minutos depois, já somos mais velhos do que os que estão nascendo. Mesmo assim, insistimos em privilegiar a juventude. Como se a juventude fosse privilégio de alguém. Como se só a juventude tivesse direito à felicidade.

Escondemos e negamos a idade como se fosse uma doença contagiosa. Buscamos meios para ter uma aparência mais jovem. Vivemos o presente olhando para o passado. E assim, só conseguimos viver o presente quando ele já é passado. Esquecemos que no futuro seremos mais velhos que no presente.

Seguir vivendo passa a ser algo pensado, calculado. Estabelecemos termos de comparação com o que fomos. Buscamos nas outras pessoas defeitos que justifiquem os nossos. Culpamos os espelhos que mostram uma imagem que não gostamos mais de ver.

Permitimos que a aparência tão cobrada e valorizada nos nossos dias não deixe que sejamos felizes. Negamos nossa inteligência ao fazer parte desse universo –pobre de espírito- que exclui valores duradouros, adquiridos pela experiência de toda uma vida.

Quando os cabelos mudam de cor, a barriga chega antes dos pés, as mãos pedem mais anéis-no caso das mulheres-, os óculos são usados para disfarçar as olheiras, ­- mais do que para ver melhor- é chegada a hora de lançar mão de outras armas e ir à luta.

Vamos despir sem pudor essa armadura onde estivemos aprisionados toda a juventude. Vamos rir de nossos defeitos, encarar aqueles que ainda nos olham buscando o que fomos e cegos ao que nos tornamos.

 Vamos viver no presente, cientes de que no futuro teremos saudade do que somos agora.




quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

TRAIÇÃO





Sandra Freire

Traição é entregar segredos, prometer e não fazer, combinar e não comparecer sem aviso e outras coisas do gênero.

Só que o tema a ser abordado envolve apenas duas pessoas. Duas pessoas que estão. Estão porque seus corações se aceleram quando veem o outro.

 E estão porque tão somente querem estar. Sem mais.

Quando um pensa no outro tudo o mais perde a importância. Conseguem sentir o outro mesmo à distância. Um sopro quente no pescoço. Arrepio. O suave roçar de corpos quando em público.

Parafraseando Rorô num momento de rara inspiração: “... sonhando acordada, dormi com você”.

 O mundo passa a ser visto pelo lado mais belo, negando a realidade que nos cerca. A impaciência com as esperas passam a ser bem-vindas. É mais tempo para pensar no outro.

A espera do encontro é o começo da felicidade. O encontro É a felicidade. Gestos simples como a mão na mão, antecipam o momento em que a física é contestada, porque então dois corpos vão ocupar um mesmo lugar no espaço.

Não dá para imaginar uma terceira pessoa nisso. Simplesmente... não cabe!

Se houver é porque você está no roteiro errado. 


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O TEMPO






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Sandra Freire

...está sempre presente, do início ao fim. No início, quando o ser esperado é bem-vindo, ele passa lentamente como uma cena em câmera lenta, se fazendo notar e contar.

No decurso da vida, quando as expectativas ainda são muitas, ele mostra quem está no comando. Acelera e freia quando bem entende. Mas não se faz notar.

Só quando se olha para trás é que ele mostra sua verdadeira face.

 Como num sonho, onde se ouve sem som, ele diz o quanto passou. Utiliza-se dos que chegaram depois, da mudança de cenário, da necessidade de tingir os cabelos, das roupas que não cabem mais, das lembranças que agora são revividas em sépia.

Lutar contra ele é tão inútil quanto pensar que podemos usar um sapato menor que o pé. Por mais belo que seja, vai se tornando incômodo e termina por se mostrar insuportável. O arrependimento é inevitável. Insistir acaba deformando os pés assim como ele vai – aos poucos – deformando nossos sonhos.

Adaptar nossos sonhos à nossa realidade é doloroso. Muito doloroso. Muito há de ficar pelo caminho, como as quinquilharias que vão caindo de um burro sem rabo que avança por um caminho de paralelepípedos. Em todos, ao olhar para trás, há a sensação de perda.

O passado, quando relembrado, sempre se mostra lindo, quase perfeito.

O presente pede para se livrar das impurezas aderidas ao longo do caminho. Pede nova roupagem para com ela entrar num futuro melhor.

É preciso agarrá-lo como a um touro à unha e nele presente, impormos nossos desejos, lutando para transformar nossos sonhos em realidade, para que ele se torne então cúmplice e não algoz.