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| Imagem do Google |
Sandra Freire
Pessoas que vêm e que vão. A maioria passa por nossas vidas
sem deixar vestígios, como parte da paisagem que sempre muda. Vão passando e
sendo substituídas por novas imagens.
Raros são aqueles que vêm e vão, mas não passam.
Vão-se os anos, tentamos
ocupar com outros aquele lugar especial que há em todos nós. Aquele lugar que
quando vazio, vez ou outra, nos inunda de uma nostalgia sorrateira, despertada
por música suave, paisagem que vai ao infinito como a melancolia da saudade.
Quanto mais tempo passa, maior a sensação de perda, a
tristeza de algo não vivido. Mas, se vivido teria estado à altura das
expectativas? Não será a imaginação mais pródiga em fantasia do que a
realidade? É possível alcançar a felicidade no sonho, embora de modo fugaz.
Na realidade, é
possível viver o sonho?
Há dias em que os sonhos quase se materializam. É possível
sentir a presença do outro. É possível dar voz ao outro. É como estarmos bem
perto da tela que reproduz os nossos sonhos, mas que, de modo cruel e realista,
nos impede de fazer parte do elenco.
O sonho é uma abstração. Enleva, mas não toca, não aquece.
Porém, não traz riscos, é perfeito. Pode durar para sempre.
Trazer um sonho para a realidade é como copiar a obra de um
grande mestre, nunca será o mesmo.
Enfim, existe um sem número de desculpas para não encarar a
frustração de não pertencer ao grupo restrito dos afortunados que encontraram e
ainda encontrarão o seu complemento.






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